Lula e Haddad aumentam em até 25% impostos de 1.252 produtos como máquinas e celulares

Medida atinge máquinas e equipamentos e itens de tecnologia

A reação mais forte à medida veio principalmente de entidades ligadas ao setor de tecnologia
24 de Fevereiro de 2026 - 16h18

O governo federal decidiu elevar o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, em uma medida que mira principalmente máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia e é vista internamente como uma resposta ao avanço das importações e à perda de espaço da indústria nacional.

As mudanças foram formalizadas pela resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, e inclui 1.252 códigos de produtos com novas alíquotas, com vigência a partir de fevereiro e março deste ano.

A reação mais forte à medida veio principalmente de entidades ligadas ao setor de tecnologia, que depende fortemente de equipamentos e componentes importados.

Itens como servidores de processamento de dados, switches, roteadores e outros equipamentos de tecnologia tiveram a alíquota de importação aumentada com a medida.

“Esta medida não afeta apenas o setor de tecnologia, mas toda a economia nacional, uma vez que a tecnologia da informação constitui hoje a infraestrutura transversal que sustenta e viabiliza todos os demais setores econômicos”, diz a Associação Brasileira das Empresas de Software em nota.

A decisão ocorre em um momento em que o governo avalia que o aumento das importações passou a representar um risco estrutural para a indústria brasileira.

Em 2025, as compras externas de bens de capital e tecnologia somaram cerca de US$ 75 bilhões, com crescimento expressivo nos últimos anos.

A leitura dentro da equipe econômica é que o país atravessa um processo de aumento da dependência de produtos importados, especialmente em setores intensivos em tecnologia e investimento.

Uma nota técnica do Ministério da Fazenda classificou o movimento como uma ameaça à estrutura produtiva nacional e defendeu a recomposição das tarifas para evitar a perda de capacidade industrial.

Segundo o documento, os importados já representam cerca de 45% do consumo de máquinas e equipamentos no país e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações, níveis considerados elevados para uma economia do porte do Brasil.